Review: Trilogia “O Século” de Ken Follet

Review: Trilogia “O Século” de Ken Follet

Trilogia “O Século” de Ken Follet

Estamos em 1911 quando começa a narrativa d’A Queda dos Gigantes e em 1989 quando termina No Limiar da Eternidade. Follett é exímio no uso que faz destes 78 anos de humanidade mas não é só isso que nos faz sentir render logo nas primeiras páginas. A enormidade de Follett, para mim, está na construção das personagens e na gestão que faz entre a ficção e a realidade. Um século de História e um século de Estórias que se lêem num fôlego não é, de todo, para qualquer um. A magnificência de Follet sente-se ao acompanhar a jovem Maud do primeiro livro que, ao longo do tempo, como na realidade, se transforma na avó Maud do terceiro livro. Quando pensamos no galante e irresistível Fitz do livro um não estamos preparados para pensar no velho Fitz que usa bengala no livro três. Não é usual termos a possibilidade de acompanhar a personagens durante tanto tempo e é aí que Follett nos ganha também. As cinco famílias do primeiro livro são as cinco famílias, ou o que resta delas, do último livro e essa longevidade, essa passagem pela vida de todos os dias, esse percorrer o mundo através de personagens que podiam perfeitamente ter existido (e algumas existiram mesmo!), dá-nos a sensação de pertença a uma era, a um tempo, que não é o nosso.

De uma família de mineiros inglesa à aristocracia russa, de Berlim aos EUA, quantas pessoas foram afectadas, (de maneira diferente, claro!), pela Primeira Grande Guerra? E como é que depois dessa experiência o mundo se deixou consumir outra vez em frentes de batalha? O que é que a Revolução Russa tem a ver com isto? E o que é que a ascensão do Terceiro Reich tem em comum com a Guerra Civil Espanhola? Como é que chegámos ao Holocausto e à inauguração da era atómica, Hiroxima, Nagasáqui e ao início da Guerra Fria? E como é as polícias secretas que percorriam o mundo separado pelo Muro de Berlim viam a realidade? O que é que o nascimento do Rock londrino e o movimento dos Direitos Civis nos EUA, Martin Luther King e a dissolução do Bloco Soviético têm em comum? São quase 3000 páginas de mundo que Ken Follett nos oferece. A nós, só nos resta agradecer.

PS.: Se a História fosse ensinada assim, com paixão e precisão, talvez mais pessoas gostassem de a voltar a percorrer.

 

Rock & Rolla