Philip Roth nasceu em 1933, em Newark, EUA. É considerado, unanimemente, um dos melhores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX. Ganhou inúmeros prémios literários e, em 2005, tornou-se o terceiro escritor vivo a ter a sua obra publicada numa edição completa e definitiva pela Library of America. Philip Roth anunciou em 2012, aos 79 anos, que ia deixar de escrever – o que significa que devemos aproveitar realmente cada página que ainda esteja por ler.
“Pastoral Americana” é um hino à América e ao Sonho Americano. É a controvérsia de um continente novo e multicultural que abarca todos os sofrimentos e todas as alegrias. É um hino à incompreensão humana e à solidão. É a vontade da vida a iludir a morte e a realidade da morte a atormentar a vida. É um questionamento constante sobre as respostas que nunca chegam. É o quebrar da inocência e a aceitação da decadência, da superficialidade e da crueldade. É saber que a verdade não existe e que cada um pode contar a que melhor lhe convier acerca de si próprio. É um comunismo tardio a lançar bombas contra um capitalismo paternalista. É o sistema no seu esplendor de antídoto da consciência. É a queda da Miss América e a construção do negócio das luvas. É a insustentável leveza da alma hipnotizada pelos neons do capitalismo. É a sujeição ao mundo e à falta de consolo. É a vida na sua mais crua e pura fragilidade.
Quando Seymour Levov, conhecido por todos como Sueco, vê a sua vida ser atravessada por um acontecimento fatídico, toda a história da humanidade pode ser posta em perspetiva. E é exatamente isso que Philip Roth faz nesta viagem pela América dos anos sessenta do século passado, onde “nem o mais tranquilo e bem-intencionado cidadão consegue escapar à vassourada da história”.
Por outro lado, Dawn Dawyer tem uma perspetiva completamente diferente sobre os acontecimentos e acaba por decidir que a melhor maneira de lidar com o sofrimento é ignorá-lo. A ele e a todos os que o lembrem.
No meio disto temos a causa viva da catástrofe – Merry – a criança doce e amada que se transformou num ser humano fanático e altamente destrutivo que vê na família a razão da sua decadência.
Pastoral Americana foi publicado pela primeira vez em 1997 e ganhou o Prémio Pulitzer, entre outros.
Avaliação: 4/5
Rock and Rolla