Annie Ernaux nasceu em Lilebonne, Normandia, em 1940.
Annie Ernaux foi a primeira mulher francesa a ganhar o prémio Nobel da literatura. Mas não foi só isso. Annie Ernaux foi a primeira mulher a conseguir que o estatuto da memória e da autobiografia deixasse de ser considerado literariamente inferior.
Ao descrever, investigar, analisar e exteriorizar experiências e sentimentos profundamente pessoais Annie Ernaux remete-nos para o nosso íntimo, para o conhecimento que temos, ou não, sobre nós próprios e embala-nos de tal forma que tem o poder para, através das suas memórias, ressuscitar as nossas.
Comecei com “Uma Paixão Simples”, continuei com “Um Lugar ao Sol” e “Uma Mulher” e acabei, ontem, “Os Anos”. Passei um mês com a Annie Ernaux a adormecer-me e ainda faltam duas das suas obras primas já editadas em português: “O Jovem” e “O Acontecimento”.
Decidi partilhar este parágrafo porque não há prova mais evidente do sucesso de um autor que a vontade de continuar infinitamente a lê-lo. Annie Ernaux é um desses génios que nos convocam, acolhem e se tornam nossos amigos ao longo das páginas. É um desses seres humanos superiores que conseguem dissecar a própria alma e confrontá-la com o mundo.
Da autobiografia à sociologia, com muitas memórias pelo meio situadas entre eventos da história recente, os livros de Ernaux são um passeio pelo século XX. Do amor à rejeição, da pobreza à burguesia ou do campo à cidade, da guerra, do impensável à realidade, do medo à tristeza e da morte à aceitação da finitude, todos estes temas povoam os romances deste mais que merecido prémio Nobel de 2022.
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