Estive num mergulho de 40 minutos de Instagram e caí no buraco negro dos “tratamentos faciais”. Começou com uma influencer bem conhecida da nossa praça e, como só o Instagram consegue, quando os conteúdos dessa acabaram começaram logo os de outra e (imaginem!), eram sobre o mesmo “tema”!
40 minutos depois sinto-me velha e cheia de rugas.
Apercebi-me que vi 7 explicações diferentes “on time” sobre o que estavam a fazer à cara em “tal” clínica que é indiscutivelmente “a melhor” no que faz para cada uma delas! 7 explicações, 7 clínicas, 7 líquidos, 7 injeções, 7 testas e pálpebras e bochechas e narizes estilizados. (Por momentos pergunto-me como é que, de repente, há tantas clínicas antirrugas!)
Todas estas pessoas a quem eu vi a cara ser “tratada” têm a minha idade ou são mais novas do que eu. O que se estará a passar na sociedade quando aos 36 anos é normal que se preencham rugas, se injetem líquidos rejuvenescedores e se publicite tudo isto para o mundo inteiro ver? Que ideal é este que se torna obrigatório perseguir para nos incluirmos no grupo dos “aceites”, dos que “influenciam”, dos que se deve “seguir”?
Cada vez mais sinto que vivo numa ilha que se vai afastando, gradualmente, da “realidade” que se impõe por todo o lado até à exaustão e que nos obriga a comprar a mentira de que podemos ser PERFEITAS.
PS.: Os 40 minutos de Instagram não foram tempo perdido, muito pelo contrário, fizeram-me pensar em argumentos que me façam gostar das minhas rugas, pelo menos por mais uns anos até ter que sucumbir ao “levantamento de pálpebras” por dificuldades de visão.
Rock&Rolla, novembro 2022