“Fedeltá” foi um novo fôlego depois de algum tempo a navegar nas águas paradas da Netflix.
Com um guião elaborado, daqueles onde os seres humanos se despem e revelam a sua fragilidade mais íntima, esta série prova que, às vezes, não é preciso que alguma coisa aconteça realmente para que, na nossa cabeça, tenha acontecido.
Uma série onde os pormenores contam e que me conquistou pelo fim. A brutal constatação de que tudo o que aconteceu, cada minuto daquela narrativa, começa com uma suposição. Uma ideia nova, a meio de uma conversa banal, que vai ganhando espaço como se tivesse vida própria. Uma suposição que se vai tornando impossível de ignorar e que passa a exigir confirmação. Uma suposição que interferirá com várias vidas e que mudará radicalmente algumas delas.
Uma suposição, sem valor de verdade, como quase todas. Uma suposição tão possível como impossível, que alastrou como um vírus e contagiou o futuro.
Esta série fez-me constatar, mais uma vez, o quão complexos são os seres humanos e o quão frágeis conseguimos ser, todos nós. Principalmente nas noites em que o sono não vem porque a vida não deixa.
E impõe-se a pergunta que define esta história:
Que poder tem a verdade quando somos sempre nós que decidimos o que é a verdade?
E em mim ficou a certeza de que, uma conversa inocente de fim de dia que chega a roçar a banalidade entre dois seres humanos, se pode transformar no fim do mundo tal como o conhecemos.
Em exibição @Netflix, 2022
IMDB: https://www.imdb.com/title/tt13956560/